Vida na Zona de Fratura Romanche

O Instituto Schmidt Ocean é uma fundação privada sem fins lucrativos, criada em 2009 visando apoiar e acelerar pesquisas relacionadas com os oceanos e sua conservação por meio de apoio operacional, tecnológico e de informação. Suas expedições são realizadas a bordo do navio de pesquisa R/V Falkor (too), que possuí mais de 100 metros de comprimento e é equipado com oito laboratórios para diferentes usos, ecossondas multibeam para o mapeamento do fundo do mar e outros instrumentos oceanográficos. O navio também conta com o ROV SuBastian, capaz de operar até 4.500 metros de profundidade e equipado com câmeras, sensores e instrumentos para coletar amostras. 

Desde 2012, o instituto já realizou mais de 100 expedições ao redor do mundo. Em 2026, o R/V Falkor (too) está explorando o Atlântico Sul, uma das regiões menos conhecidas dos oceanos. As pesquisas incluem investigações sobre biodiversidade marinha, processos fenômenos físicos, químicos e geológicos, além do mapeamento do assoalho oceânico em regiões que vão desde águas profundas brasileiras até as cadeias meso-oceânicas. Entre essas expedições está a “Life at the Romanche Fracture Zone”, coordenada pelo Prof. Dr. Angel Perez do Laboratório de Estudos Marinhos Aplicados da UNIVALI, em parceria com uma série de pesquisadores e especialistas de diversas áreas.

Essa expedição tem como objetivo explorar e descrever os padrões ecológicos de espécies e comunidades bentônicas de águas profundas na Zona de Fratura Romanche, localizada no Atlântico Central Ocidental. Historicamente, essas regiões eram consideradas como áreas de baixa biodiversidade, o que atualmente se reconhece como resultado de uma subamostragem histórica. Hoje, com base na descrição de processos biofísicos relevantes e conhecidos na região, espera-se que essas áreas sejam, na verdade, hotspots de biodiversidade de águas profundas, que demandam proteção. Nesse contexto, a expedição busca cobrir essa lacuna no campo da exploração e expandir o conhecimento científico para a região.

A Zona de Fratura Romanche foi formada no processo de expansão do oceano Atlântico e, morfologicamente, apresenta uma diversidade de paisagens marinhas profundas, com encostas suaves, vales profundos que chegam a 6.000 metros de profundidade e cristas que se elevam até 3.000 metros a partir do fundo do mar. Considerando os fatores oceanográficos, essas estruturas influenciam na circulação de importantes massas de água. Além disso, a área está sob influência de um importante sistema de ressurgência equatorial, que aumenta sazonalmente a disponibilidade de nutrientes e a produtividade primária. A partir desse conjunto de fatores, espera-se que Zona de Fratura Romanche abrigue ecossistemas bentônicos e bentopelágicos biologicamente diversos e que a área atenda aos critérios da FAO para a definição de Ecossistemas Marinhos Vulneráveis (VMEs), sendo relevante para o debate sobre a conservação do alto-mar no Atlântico.

Neste link é possível acessar todas as expedições que serão realizadas no ano de 2026. 

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